O dia em que minha vida deu perda total

O dia em que minha vida deu perda total

Houve uma época em minha vida que vivi trancado em minha casa.

Em 1986, com oito anos de idade, vivi um drama que me perseguiu por muito tempo: um acidente de automóvel.

Era um dia de chuviscos. Não chovia forte, mas também não tinha sol.

O céu estava cinza.

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Meu pai, eu e meu irmão de dois aninhos fomos à cidade de Aparecida visitar uma tia.

Eu amava o fusca azul que meu pai havia comprado há pouco tempo.

Chegada a hora de voltar para casa, nos despedimos e entramos no veículo. Estava chovendo um pouco mais do que apenas uma leve garoa.

Queria voltar logo para jogar futebol de botão. Eu tinha uma coleção e passava horas brincando com eles.

Na rodovia tudo ia bem: meu pai dirigindo, eu no banco da frente e meu irmão no banco de trás.

De repente um fusca vermelho atravessou o canteiro central, jogando muito mato e terra sobre o parabrisas do nosso carro. Um estrondo enorme, barulho de ferro retorcendo e vidros quebrando nos arrastaram para o acostamento forçadamente.

Havíamos sido atingidos.

Naquele momento, tudo parecia se mover em câmera lenta. Pessoas correndo. Policiais Rodoviários vindo em nossa direção.

Meu pai saiu do banco dele, não me pergunte como, e abriu a porta do passageiro para me liberar.

O gosto de sangue na boca me fez cuspir no chão, formando uma poça vermelha.

Quando meu pai foi retirar meu irmão do banco traseiro, uma surpresa: ele não estava lá!

O desespero quis tomar conta daquele homem vivido, tranquilo e sereno do interior.

Foi quando um guarda o localizou chorando… embaixo do carro, encharcado de gasolina, tremendo de medo.

Foi um momento tão traumatizante que me lembro até hoje, pós quarenta anos passados.

Não sofremos nada grave, com a Graça de Deus.


Eu tive que levar alguns pontos no queixo.

Meu pai descobriu, no hospital, que havia quebrado o tornozelo.

Meu irmão menor, apenas raspões.

Até hoje não sabemos explicar como ele foi parar debaixo do carro.

Quanto ao fusca, não teve jeito, deu perda total.

Meu pai nunca mais comprou outro.

Naquele dia, sem que eu percebesse, uma parte de mim também entrou em perda total. Eu sairia do carro, mas não sairia daquele trauma tão cedo.

Esse acidente desencadeou um medo incapacitante: passei oito anos vivendo dentro de casa, saindo apenas para ir à escola.

Eu não sabia que havia algo melhor preparado para mim lá fora!

Convido você amigo leitor, para juntos meditarmos no livro de Ezequiel, capítulo 47 e perceber que o melhor que Deus tem pra você consiste em: reconhecer que vivemos presos nas ansiedades e cuidados desse mundo; conhecer um rio que dá vida e por fim, mergulhar nesse rio.

Sente-se confortável, prepare uma xícara de café ou um copo de suco natural e vamos agora ver o que Deus tem pra nós.





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